Apesar de avanços na prevenção e tratamento, a malária continua a ser endémica na Guiné-Bissau
Em entrevista à RFI, a coordenadora do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo, a doutora Vanira Pires de Almada, destaca que, embora o país já esteja a administrar vacinas em crianças e distribuir regularmente cerca de um milhão e meio de mosquiteiros com o apoio do Fundo Mundial, o grande desafio continua a ser a adesão da população ao uso correcto das redes.
Garantir testes, medicamentos a tempo e recursos humanos no interior profundo são as metas apontadas para caminhar rumo à pré-eliminação da doença.
O paludismo continua a ser uma das principais preocupações do Ministério da Saúde nas regiões sanitárias de Bafatá, Gabu, Biombo, Bolama, Quinará e Tombali.
Embora o financiamento da estratégia nacional dependa quase na totalidade do Fundo Mundial, que sofreu cortes em 2024, o programa conseguiu alargar a Quimioprevenção do Paludismo Sazonal (QPS) de três para quatro meses, administrando medicamentos preventivos a cerca de 300 mil crianças menores de cinco anos.
A coordenadora do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo, Vanira Pires de Almada, diz que, apesar de todas as dificuldades, a Guiné-Bissau tem feito progressos assinaláveis.
"Nos últimos anos, conseguimos avançar e reforçar a prevenção, diagnóstico e tratamento oportuno, ou seja, atempado, e aumentar a utilização das intervenções, como o uso dos mosquiteiros impregnados e ampliar a prevenção do paludismo sazonal nas crianças. Em 2024, conseguimos fazer a extensão da faixa etária no que diz respeito à prevenção do paludismo sazonal na região sanitária de Bafatá, Gabu, Bolama, Tombali, conseguimos fazer a extensão de três meses a 120 meses, mas devido ao corte do fundo não conseguimos progredir ou prosseguir para o próximo ano. Quer dizer, em 2025. Mas conseguimos alcançar o objectivo. Conseguimos dar a cobertura para aquelas crianças naquele ano, cerca de 295.000 crianças. Também é importante destacar que em 2024, praticamente todos os casos suspeitos foram testados e os casos confirmados tiveram o tratamento ou acesso ao tratamento, segundo a política do programa do Paludismo", destaca a responsável.
Com o apoio do Fundo Mundial, são regularmente distribuídos de forma gratuita mosquiteiros impregnados com insecticidas aos agregados familiares com crianças menores de cinco anos e grávidas. A 6.ª campanha de distribuição entregou cerca de um milhão e quinhentos mil mosquiteiros.
O problema continua a ser o uso daqueles artefactos, pois muita gente simplesmente se recusa a dormir debaixo dos mosquiteiros.
"Existem várias razões. Algumas pessoas sentem calor ou desconforto. Outras pessoas não percebem imediatamente o benefício, o porquê de usar mosquiteiro. O mosquito é invisível e a doença pode aparecer dias depois da picada, conforme a epidemiologia nos indica. Também existem crenças na nossa comunidade, hábitos familiares e, em alguns casos, problemas relacionados com a instalação e conservação dos mosquiteiros. Porque há populações que não percebem como instalar ou montar e desmontar um mosquiteiro e em que período deve usar mosquiteiros. Por isso, a nossa abordagem não deve ser apenas distribuir o mosquiteiro. Temos que explicar as razões pelas quais protege, demonstrar como deve ser instalada e utilizar perante a família e há uma mensagem muito simples acerca disso. O mosquiteiro não é apenas para quando há muitos mosquitos. Deve ser utilizado todas as noites e durante todo o ano. Significa que a utilização do mosquiteiro é permanente, segundo a recomendação da OMS", sublinha Vanira Pires de Almada.
A Guiné-Bissau é um dos países de África que já estão a administrar vacinas de prevenção contra o paludismo em crianças. A coordenadora do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo, Vanira Pires de Almada, observa, no entanto, que o combate à doença envolve vários mecanismos que devem ser combinados.
"O combate ao paludismo não depende de uma única intervenção. O programa aborda esta situação em várias ocasiões. Temos mosquiteiros impregnados de longa duração e acção. Temos diagnóstico precoce e tratamento eficaz dos casos. A prevenção do paludismo durante a gravidez. O programa fornece o tratamento preventivo e intermitente, a administração de ansiedade durante a gestação e depois, actualmente, o programa tem a vacina aprovada e já há implementação contra o paludismo para as crianças menores de cinco anos. Temos uma maior prevenção no paludismo sazonal, que é a que se faz a campanha anualmente durante os meses de pico, quer dizer, de alta transmissão que são são a partir de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro, quatro meses consecutivos ao ano. E cada mês, a criança deve tomar três medicamentos, quer dizer, três dias consecutivos. Isso se faz nas zonas de alta transmissão", explicita a médica.
Por tudo o que já foi feito, a Guiné-Bissau até pode admitir que caminha para a fase da pré-eliminação do paludismo nas comunidades. A coordenadora do programa nacional de combate à doença elenca as metas que devem ser atingidas, impreterivelmente, nos próximos anos.
"Se queremos caminhar para a eliminação, precisamos de saber exactamente onde estão os casos e onde persiste a transmissão. E, finalmente, queremos reforçar o papel das comunidades e dos agentes comunitários, porque não conseguiremos eliminar o paludismo apenas através da estrutura sanitária. O apoio do Fundo Global é muito importante, mas o objectivo é utilizá-lo estrategicamente para alcançar os resultados e, simultaneamente, fortalecer o sistema de saúde", conclui a responsável.
Outros desafios consistem em garantir que os mosquiteiros sejam usados por todos e de forma correcta, que os testes e medicamentos sejam disponibilizados no tempo certo nas comunidades, que os meios de diagnóstico cheguem às regiões do interior profundo da Guiné-Bissau, e que haja recursos humanos e financiamento suficientes para evitar retrocessos.
Estas são as preocupações elencadas pela médica Vanira Pires de Almada, coordenadora nacional do Programa de Luta contra o Paludismo na Guiné-Bissau.
Acompanhe a Recifes.net
Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.
Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.rfi.fr.