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Após caso na Expointer, veja como prevenir a tristeza parasitária bovina

07 de September de 2026 0 leituras
Após caso na Expointer, veja como prevenir a tristeza parasitária bovina

Um dos touros que morreram durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), teve a morte atribuída à tristeza parasitária bovina (TPB), segundo o veterinário responsável pelo atendimento dos animais no evento.

A doença é um conjunto de enfermidades causadas principalmente por protozoários e bactérias que vivem no sangue dos bovinos. Entre os principais agentes estão Babesia bovis e Babesia bigemina, responsáveis pela babesiose, e Anaplasma marginale, causador da anaplasmose.

Segundo Daniel Rodrigues, gerente técnico da unidade de negócio de Ruminantes da MSD Saúde Animal, a transmissão ocorre sobretudo por carrapatos. Em algumas situações, também pode ocorrer por insetos ou materiais contaminados.

Como a tristeza parasitária evolui

Os primeiros sinais podem ser discretos. O animal pode ficar mais parado, isolado do lote, com a cabeça baixa e as orelhas caídas. Também podem ocorrer redução do apetite e da ruminação, pelos arrepiados, febre e aumento das frequências respiratória e cardíaca. “Os sinais iniciais podem ser bastante discretos”, explica Rodrigues.

Em vacas leiteiras, outro sinal pode ser a queda na produção de leite.

Com a evolução da doença e a destruição das hemácias, podem aparecer mucosas pálidas, fraqueza, desidratação, icterícia e dificuldade para se movimentar. Na babesiose, principalmente nos casos provocados por B. bigemina, o animal também pode apresentar urina escura ou avermelhada, em decorrência da hemoglobinúria.

A doença pode evoluir para anemia intensa, alterações neurológicas e morte.

Qual é a relação com o carrapato?

O carrapato atua como vetor da doença. Ao se alimentar de um animal infectado, pode adquirir o agente e transmiti-lo para outro bovino durante uma nova alimentação.

Por isso, o controle do carrapato faz parte da prevenção da tristeza parasitária. Rodrigues ressalta, porém, que o manejo não deve se limitar à aplicação de carrapaticidas quando os parasitas aparecem.

O controle deve ser planejado de acordo com as condições de cada propriedade, com monitoramento do rebanho e uso dos produtos conforme orientação técnica.

Estresse pode fazer a doença aparecer?

Um bovino pode estar infectado sem apresentar sinais clínicos. Dependendo do agente, pode ocorrer um período de incubação ou uma infecção subclínica.

Nesses casos, situações como transporte, mudança de ambiente e manejo intenso podem alterar a resposta imunológica e fisiológica do animal e coincidir com o aparecimento dos sinais.

“Isso não significa necessariamente que o estresse causou a infecção; ele pode ter favorecido a manifestação de uma infecção que já estava presente”, explica Rodrigues.

Essa relação ajuda a entender por que animais que chegam a eventos, como feiras e exposições, sem sinais aparentes, podem desenvolver manifestações clínicas posteriormente.

Como controlar o carrapato?

O controle deve ser estratégico e considerar as condições de cada propriedade. Entre as medidas indicadas pelo especialista estão:

  • monitorar o rebanho de forma regular;
  • acompanhar a quantidade de carrapatos nos animais;
  • registrar a ocorrência de casos de tristeza parasitária;
  • escolher o carrapaticida adequado para a propriedade;
  • respeitar dose, intervalo, modo de aplicação e período de carência;
  • evitar misturas e subdosagens por conta própria;
  • alternar princípios ativos conforme orientação técnica;
  • realizar corretamente o tratamento de todo o lote quando indicado;
  • avaliar animais que chegam de outras propriedades ou de feiras antes da entrada no rebanho.

“Para prevenir a tristeza parasitária bovina (principalmente babesiose e anaplasmose), o controle do carrapato deve ser estratégico, e não simplesmente baseado em aplicar carrapaticida sempre que aparecem carrapatos”, orienta.

Aplicações incompletas ou feitas de forma incorreta podem deixar animais parasitados e contribuir para a seleção de carrapatos resistentes aos produtos utilizados.

É preciso eliminar todo o carrapato?

Não necessariamente. Em regiões onde a tristeza parasitária é endêmica, o manejo também deve considerar a estabilidade enzoótica da propriedade.

“O objetivo não é necessariamente eliminar completamente o carrapato, pois a exposição controlada pode contribuir para a manutenção da imunidade dos animais”, explica Rodrigues.

O manejo deve considerar as características epidemiológicas do rebanho e buscar reduzir os riscos de casos clínicos.

O que fazer em caso de suspeita?

Ao identificar um bovino com sinais compatíveis com tristeza parasitária, o produtor deve procurar atendimento veterinário. A avaliação é necessária porque mais de um agente pode estar presente no mesmo animal e porque outras doenças podem apresentar sinais semelhantes.

“Ao identificar um bovino com suspeita de tristeza parasitária bovina (TPB), o produtor deve agir rapidamente”, alerta Rodrigues.

O atendimento rápido é importante porque a doença pode evoluir para anemia intensa, alterações neurológicas e morte. O diagnóstico ajuda a definir a conduta de tratamento e as medidas de controle necessárias para os demais animais do rebanho.

O produtor também deve informar ao veterinário sobre situações recentes de transporte, mudança de lote, participação em feiras ou outros manejos que possam ter antecedido o aparecimento dos sinais.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.canalrural.com.br.

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