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IA ajuda a criar remédio que reduz sinais do envelhecimento

07 de September de 2026 0 leituras
IA ajuda a criar remédio que reduz sinais do envelhecimento
Foto: Евгений Шухман / Pexels

Um medicamento desenvolvido com ajuda de inteligência artificial (IA) para tratar uma doença pulmonar grave apresentou um resultado inesperado: pacientes tiveram redução em marcadores usados para estimar a idade biológica.

Criado pela biotech Insilico Medicine, o rentosertib foi testado em 43 pessoas com fibrose pulmonar idiopática. Após 12 semanas, seis diferentes “relógios de envelhecimento” apontaram redução na idade biológica estimada dos participantes.

Da doença pulmonar aos sinais de envelhecimento

O principal objetivo do rentosertib é tratar a fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma doença crônica que engrossa e causa cicatrizes no tecido dos pulmões. Com a progressão da condição, a capacidade de levar oxigênio ao sangue diminui, e a doença pode ser fatal em poucos anos.

Em um ensaio clínico realizado anteriormente, a Insilico já havia observado que o medicamento conseguia ampliar significativamente a capacidade pulmonar dos pacientes. Os pesquisadores também coletaram dados que permitiram analisar possíveis mudanças relacionadas à idade biológica.

Para isso, recorreram a seis “relógios de envelhecimento”. Esses sistemas usam diferentes conjuntos de marcadores biológicos para estimar a idade de células, tecidos e órgãos. Depois de 12 semanas de tratamento, todos os seis apontaram uma redução na idade biológica prevista.

Este é o primeiro estudo que mostra, de forma muito clara, que a idade biológica prevista pode ser reduzida.

Vadim Gladyshev, professor da Harvard Medical School que ajudou a desenvolver um dos relógios, em nota.

Como a IA ajudou a criar o medicamento

A Insilico Medicine foi fundada em 2014 por Alex Zhavoronkov e trabalha há mais de uma década com técnicas de IA voltadas à descoberta de medicamentos.

Um dos sistemas da empresa analisa informações como registros médicos, exames de sangue e pesquisas acadêmicas para identificar proteínas relacionadas a doenças. Outro examina a estrutura dessas proteínas e a maneira como elas interagem com outras moléculas.

A partir dessas informações, a tecnologia ajuda a projetar moléculas capazes de se ligar a determinados alvos biológicos. Foi nesse processo que surgiu o rentosertib.

“É como examinar uma fechadura e gerar uma chave que se encaixe nela”, explicou Zhavoronkov.

Resultado chama atenção, mas exige cautela

Os números despertam interesse na pesquisa sobre longevidade, mas não comprovam que o rentosertib seja capaz de retardar o envelhecimento. O estudo tem limitações importantes:

  • apenas 43 pacientes participaram do ensaio;
  • todos os participantes tinham fibrose pulmonar idiopática;
  • os efeitos foram avaliados depois de 12 semanas;
  • cientistas ainda discutem a confiabilidade dos relógios de envelhecimento;
  • o medicamento pode levar anos para obter aprovação regulatória.

A Insilico ainda não testou os possíveis efeitos relacionados ao envelhecimento em pessoas saudáveis. Portanto, não está claro se a redução observada seria reproduzida em outros grupos.

“Este medicamento parece promissor. Mas ainda não temos um ensaio definitivo para dar o veredito final”, disse Eric Topol, cardiologista e autor do livro “Super Agers”.

Mesmo com as ressalvas, pesquisadores de longevidade veem no estudo um possível caminho para futuros ensaios. Evelyne Bischof, professora de medicina da Universidade de Tel Aviv, resumiu: “Esses são métodos que usaremos em futuros ensaios.”

O trabalho mostra como a IA pode ser usada não apenas para acelerar a descoberta de medicamentos, mas também para investigar mudanças biológicas associadas ao envelhecimento.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de olhardigital.com.br.

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