Angola enfrenta crise silenciosa: hepatite B afeta 1 em cada 5 angolanos
Angola vive uma emergência de saúde pública que avança longe dos holofotes: a hepatite B já acomete aproximadamente um quinto de toda a sua população. Dados das autoridades sanitárias angolanas revelam uma taxa de prevalência de 21% — número que, para efeito de comparação, é mais de dez vezes superior ao índice registrado para o HIV/AIDS no país, que gira em torno de 1,6%. A disparidade expõe uma doença que, apesar de evitável por vacina, continua se alastrando de forma preocupante.
A capital Luanda figura como o principal foco da infecção, respondendo por cerca de metade de todos os casos identificados no país. A concentração populacional elevada, aliada à precariedade dos serviços de saneamento e à dificuldade de acesso a informações confiáveis sobre transmissão e prevenção, cria um ambiente propício à disseminação do vírus. Especialistas angolanos alertam que muitos portadores sequer sabem que carregam a doença, já que a hepatite B pode permanecer assintomática por anos.
As autoridades de saúde do país identificam a falta de educação sanitária como o fator central por trás desse cenário. Ao contrário do HIV, que ao longo das últimas décadas foi alvo de amplas campanhas de conscientização globais, a hepatite B permanece desconhecida para grande parte da população — tanto em relação às suas formas de contágio, que incluem contato com sangue e fluidos corporais, quanto em relação às consequências graves que pode provocar, como cirrose e câncer de fígado.
O quadro reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e fortalecer os programas de testagem precoce no continente africano. A vacina contra hepatite B existe há décadas e é altamente eficaz, mas sua distribuição ainda enfrenta obstáculos logísticos e financeiros em países de baixa renda. Para Angola, o desafio imediato é transformar o dado epidemiológico em política pública capaz de reverter uma tendência que já comprometeu a saúde de milhões de pessoas.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.rfi.fr.